Acampada de Lisboa volta a montar tendas no Rossio no sábado

Acampada de Lisboa volta a montar tendas no Rossio no sábado

O movimento Acampada de Lisboa anunciou hoje que vai voltar a montar tendas e pernoitar na praça do Rossio, no sábado, no final da manifestação que começa às 16h00 no Largo de Camões.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
José Pinto Dias - RTP

"Este sábado, voltamos a marchar pelas ruas de Lisboa. À chegada ao Rossio, voltamos a montar as tendas e a passar a noite na praça. Não nos tiram das ruas, não nos tiram a vontade de lutar", anunciou a organização do protesto, em comunicado.

A manifestação sob o mote "Não temos casas, ficam as tendas" tem início marcado para as 16h00, num percurso entre o Largo de Camões, no Chiado, e a praça do Rossio.

"Depois de duas intervenções policiais violentas, com bastonadas, balas de borracha, cães lançados contra manifestantes, pessoas feridas e detidas, continuamos aqui, porque o que nos une não são apenas as tendas, mas uma luta comum pelo direito à habitação e pela possibilidade de viver com dignidade", salientou o movimento.

A organização da Acampada de Lisboa explicou que continua "a resistir", porque as razões que levaram a ocupar o Rossio "continuam por resolver".

"Podem desmontar as nossas tendas, mas não conseguem desmontar a solidariedade, os laços e a organização coletiva que construímos", vincou, acrescentando que "esta luta não se faz individualmente, mas lado a lado".

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais e a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações relativas à carga policial sobre os manifestantes.

Em resposta, milhares de pessoas juntaram-se no Rossio no domingo ao final do dia, com o lema "Mais casas, menos bastão!".

Já na terça-feira, milhares de manifestantes encheram ao final do dia a rua de São Bento, frente à Assembleia da República, em Lisboa, pelo direito à habitação, no dia em que começou no parlamento a discussão na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

De acordo com os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço das casas no país subiu 18% para 2.445 euros/m2 no 2.º trimestre deste ano, face ao mesmo período do ano passado, e aumentou 4,6% comparativamente aos primeiros três meses deste ano.

Lisboa é a cidade da União Europeia onde se gasta mais salário em habitação (116% do salário médio), à frente de Madrid e Barcelona, que surgem em segundo lugar (73%), de acordo com um relatório do Conselho Europeu divulgado em outubro do ano passado.
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